sexta-feira, 16 de abril de 2010

São Paulo FC vai ao Rio de Janeiro e emociona cariocas

Com 250 toneladas arrecadadas, grupo são-paulino lota seis carretas e vê de perto dificuldade do povo

Ajudar quem precisa não tem hora marcada ou distância. Com este pensamento, uma comitiva do São Paulo partiu para o Rio de Janeiro na última quarta-feira à noite para ajudar os desabrigados na região, afetados pelas fortes chuvas nos últimos dias.

O grupo foi entregar todos os donativos arrecadados pelo clube paulista. Ao todo, foram 250 toneladas. A quantidade, que foi levada ao Rio em seis carretas, foi descarregada no 12˚ Batalhão de Niterói. A PM disponibilizou um ginásio para que fosse feita a triagem e distribuição dos donativos.

"Fomos muito bem recebidos por todos. Nosso objetivo era este mesmo. Levar donativos para estas pessoas que precisam. Foi uma emoção muito grande. Um povo olhando para o céu e perguntando o motivo de tudo aquilo. Emocionante ver aquela população toda esperando notícias de um familiar", disse Nino, do departamento de relações públicas do São Paulo.

Após o descarregamento, todos seguiram para o morro do Bumba, um dos locais mais afetados pelas enchentes, por onde ficaram por cerca de uma hora. Seguindo sua maratona em prol dos necessitados, os são-paulinos visitaram uma igreja, que está servindo de abrigo para as famílias que perderam suas casas.

No retorno ao Batalhão, o coronel do local foi presenteado com uma bandeira do São Paulo, que retribuiu a gentileza com uma flâmula da corporação. Na mesma hora, como forma de reconhecimento e gratidão, ele hasteou a bandeira. Depois de quase 24h entregando os donativos, o grupo retornou a São Paulo às 20h da última quinta-feira. Ação elogiável do São Paulo, que está de parabéns pela iniciativa.

"Não são apenas os jogadores e a comissão que formam um time de futebol. É como uma bola de futebol. Cada gomo é um trabalho a ser feito. O São Paulo tem de usar este nome que tem, o carinho que recebe de todos, para reverter isso em ações sociais", concluiu Nino.


Fotos: Rubens Chiri

Seis caminhões lotados foram para o Rio de Janeiro entregar os donativos

Toda arrecadação foi recebida pelo 12˚ Batalhão de Niterói

São Paulo arrecadou 250 toneladas de donativos para os desabrigados do Rio de Janeiro


Nino entregou para o coronel do Batalhão uma bandeira do São Paulo, que retribuiu com uma flâmula

Fonte: Site Oficial

Siga o blog no twitter

Novo projeto Morumbi 2014

Para resolver de vez os problemas técnicos do Morumbi, estádio que pleiteia a abertura da Copa 2014, o São Paulo FC enviou ontem (15) à Fifa a quarta remodelação do projeto desde o anúncio da capital paulista como cidade-sede. Desta vez, o clube e os arquitetos responsáveis pela modernização dizem que solucionaram definitivamente as principais deficiências do estádio, especialmente a visibilidade do campo. Para isso, também tiveram que aumentar o custo das reformas, que subiu dos R$ 240 milhões em fevereiro passado para cerca de R$ 400 milhões.

A principal mudança no Morumbi envolve as arquibancadas. Os anéis intermediário e inferior serão demolidos e substituídos por um único nível, que se estenderá até o gramado. Com isso, a pista de atletismo será coberta e a configuração oval do estádio dará lugar a uma geometria retangular.

O gramado será rebaixado em três metros para corrigir as curvas de visibilidade e permitir a aproximação da arquibancada. Como o córrego Antonico passa por baixo do Morumbi, a prefeitura desviará seu curso por meio de nova canalização e construirá três piscinões, com 50 m3 cada um, que custarão R$ 125 milhões a mais aos cofres públicos. Essas obras já estavam previstas na matriz de responsabilidades assinada com o governo federal em fevereiro.

O novo projeto ampliou a capacidade total do estádio para 67.450 lugares, sendo 1.500 novos assentos no anel superior. A GMP também propôs 2.400 assentos provisórios durante a Copa que seriam removidos depois da competição.

A área de TV Compound, outro setor criticado pela Fifa, também foi reformulada. A estrutura destinada às unidades móveis das emissoras ficará na laje da praça Roberto Gomes Pedrosa, e não mais nos pavimentos inferiores. Além disso, serão construídos túneis subterrâneos para a passagem do cabeamento até o estádio.





Fonte: Copa 2014.org

Siga o blog no twitter

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Em 1993, São Paulo faz promoção para jogo contra Newll`s Old Boys pela Libertadores



nota do blogger: Saudades do Mestre Telê, esse sim era Técnico, Treinador e Professor, ou qualquer outro adjetivo similar usado no futebol, não era medroso, presava pelo futebol bem jogado e o respeito ao adversário. Mestre rogai por nós pecadores.......

Siga o blog no twitter

segunda-feira, 5 de abril de 2010

domingo, 4 de abril de 2010

Gols do jogo contra o Botafogo-SP



Siga o blog no twitter

São Paulo goleia Botafogo e volta ao G4

Com dois gols de Hernanes, o Tricolor paulista consegue sua maior goleada no ano

Depois de três jogos sem vencer, fora do G4 no Paulistão e após enfrentar mais de 10h de viagem de retorno do México, onde disputou partida, válida Libertadores, o São Paulo voltou a vencer neste domingo. Bateu o Botafogo por 5 a 0 no Morumbi e retomou seu posto no G4, com 33 pontos, e, de quebra, lavou a alma. O meia Marlos, que voltou ao time titular, foi um dos destaques da partida: marcou o primeiro gol e participou do segundo, uma pintura. Hernanes também foi um dos destaques, com dois belos gols marcados.

O São Paulo começou a partida pressionando. Dominou o primeiro tempo e criou inúmeras chances de gol, porém o time pecou demais nas finalizações. Dagoberto e Fernandinho, por exemplo, perderam três chances cada. Hernanes e Jorge Wagner também não pareciam em uma tarde inspirada.

Até mesmo Rogério Ceni, que teve a oportunidade de abrir o placar, desperdiçou cobrança de pênalti. O lance foi aos 13 minutos. Dagoberto invadiu a área e foi derrubado por Valter. O árbitro Paulo César de Oliveira estava próximo da jogada e marcou o pênalti corretamente. A torcida pediu e Ceni foi para a cobrança. O goleiro-artilheiro bateu com paradinha, mas Wéverton não caiu na dele e fez a defesa.

O pênalti perdido não desanimou o São Paulo, que continuou atacando. Hernanes em cobrança de falta, aos 23 minutos, e Fernandinho numa bonita jogada, aos 31, quando invadiu a área, passou pela marcação e tocou para Hernanes, criaram as melhores chances do time na etapa inicial.

O Botafogo, por sua vez, não levou perigo e nem sequer chutou a gol. Nas poucas investidas que o time Ribeirão Preto teve os atacante André Neles e Adriano erraram o alvo e não deram trabalho para Ceni.

Quando tudo caminhava para um empate sem gols, o Tricolor paulista aproveitou um contra-ataque no último minuto e abriu o placar. Miranda avançou com a bola pelo meio de campo e lançou Marlos na direita. O jogador, livre de marcação, entrou na área e bateu de direita, na saída de Wéverton. Belo gol. Em seguida, Paulo César de Oliveira encerrou o primeiro tempo.

No segundo tempo, o São Paulo voltou mais ligado e com apenas 10 minutos já havia criado sete chances claras de gol. Destaque para o chute de Jean, aos 5 minutos, que de fora da área quase surpreendeu Wéverton mal colocado.

De tanto insitir, o time acabou marcando o segundo gol aos 14 minutos, numa bela jogada. Marlos tabelou com Dagorberto, invadiu a área e tocou para Hernanes, que apenas tocou para o fundo do gol.

O gol desanimou o Botafogo e em um intervalo de dois minutos o Tricolor fez mais dois gols. O primeiro aos 22, quando Jorge Wagner cobrou escanteio na medida para Rodrigo Souto, que desviou com a perna para o gol. Aos 24, Junior Cesar recebeu passe de Dagoberto e bateu firme no gol para fazer 4 a 0. Depois do gol o Botafogo que já não ameaçava, ficou apenas tocando de lado e tentando segurar a bola.

Aos 37 minutos, Hernanes recebeu de Jorge Wagner e mandou uma bomba no gol, sem chances para Wéverton: 5 a 0. Com o placar definido, a torcida fez as pazes com o time. Esta foi maior goleada do Tricolor no Campeonato Paulista de 2010.

Na próxima rodada, o Tricolor enfrentará o Santo André, em Piracicaba. Um empate pode garantir o time nas semifinais. Já o Botafogo, que tem 28 pontos e está classificado para o Torneio do Interior, recebe o Monte Azul em Ribeirão Preto.

FICHA TÉCNICA
SÃO PAULO 5X0 BOTAFOGO

Estádio: Morumbi, São Paulo (SP)
Data/hora: 4/4/2010
Árbitro: Paulo César de Oliveira (Fifa-SP)
Auxiliares: Ednilson Corona (Fifa-SP) e Alberto Poletto Masseira (SP)
Renda/público: R$ 211.359,75 -8.774 pagantes
Cartões amarelos: Junior Cesar, Alex Silva (SPO);Jonas, Augusto Recife (BOT).
GOLS: Marlos 45'/1ºT (SPO), Hernanes 14'/2ºT (SPO), Rodrigo Souto 22'/2ºT (SPO), Junior Cesar 24'/2ºT (SPO), Hernanes 371/2ºT (SPO)

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Jean, Alex Silva (Renato Silva - 17'/2ºT), Miranda, Junior Cesar; Rodrigo Souto, Hernanes, Jorge Wagner (Carlinhos Paraíba - 38'/2ºT), Marlos; Dagoberto (Marcelinho - 31'/2ºT) e Fernandinho. Técnico: Ricardo Gomes.

BOTAFOGO: Wéverton; Jonas, Valter, Leandro Amaro, Andrezinho; Augusto Recife, Rodrigo Pontes, Vinicius (Xuxa - 12'/ 2ºT), João Henrique (Washington - 22'/2ºT); Adriano e André Neles (Bruno - 26'/2ºT). Técnico: Galli.

Fonte: Lancenet

Siga o blog no twitter

quarta-feira, 31 de março de 2010

Rogério Ceni descobre que é 'card' no Japão


Coleção vendida no Japão conta com grandes jogadores da História do futebol e o são-paulino é um deles

O goleiro Rogério Ceni recebeu um presente na véspera do confronto diante do Monterrey, válido pela Copa Libertadores. Ainda no hotel onde a delegação do São Paulo está hospedada, um rapaz mexicano foi até o capitão e lhe entregou um "card", espécie de figurinha, cujo personagem é o próprio Ceni.

A coleção é vendida no Japão e trata de grandes jogadores da História do futebol. Ceni é respeitado no país, sobretudo depois da atuação no Mundial de Clubes da Fifa, em 2005. Na época, o gol contra o Al-Ittihad (SAU) e as defesas contra o Liverpool (ING) lhe valeram o prêmio de melhor jogador da competição.

O mexicano garantiu ter contato com o São Paulo desde alguns jogos na época em que Telê Santana ainda era o técnico, na década de 1990, e se lembrou também do último encontro com os tricolores. Em 2005, a equipe esteve em Monterrey para enfrentar o Tigres, outro clube local, pela Libertadores. A derrota por 2 a 1 foi a única dos brasileiros naquela edição, mas garantiu a classificação para a semifinal.

- Fiquei feliz, no Brasil isso não existe, não sabia que existia algo assim sobre mim. Muito obrigado - disse Rogério ao receber o presente e autografar outro cartão, este pertencente ao mexicano.

Fonte: Lancenet

Siga o blog no twitter

terça-feira, 30 de março de 2010

“O nobre Guerreiro”


Início dos anos 60. A cidade de Bauru, na região noroeste do estado de São Paulo, já havia revelado Pelé, o rei brilhava intensamente; projetava Bauru para o mundo.

Pelé, antes da glória, jogara por um time amador de Bauru mas o Noroeste, time profissional, era o dono daquela cidade e daquela região e acho que o Noroeste tinha ciúmes, por não ter revelado o rei.

O Noroeste era uma escola de futebol assim como tantos clubes do interior eram escolas de futebol, o futebol interiorano era chamado então de “celeiro de craques”.

Não havia empresários futebolísticos, o futebol não tinha dono, o futebol era, nessa época, ele próprio e por si próprio, o dono de todas as alegrias e de todos os prazeres.

Enquanto Pelé assombrava as multidões jogando pelo Santos FC e pela seleção brasileira, aparecia um menino em Bauru que deixava os bauruenses loucos.

Antonio Ferreira viera à luz em 1942.

Em 1962, aos 20 anos, o Toninho, como era chamado pela família e pelos amigos, tendo jogado bola desde os nove, dez anos, já conhecia tão bem os segredos da grande área que se dizia que ele nascera naquela região do campo de futebol.

Toninho era o dono da área, naquele espaço do campo Toninho transitava espontaneamente, muito à vontade, como se estivesse em casa. Pouco tempo demorou para que a fama daquele menino ganhasse dimensões estaduais.

Toninho, com seu jeito pacato, com seu estilo nobre de jogar e com a sua perseverança em busca do gol, começou a fazer história. Ele era impiedoso com o Palmeiras, com o Santos, com o São Paulo, com o Corinthians. Quem se habilitasse a enfrentar o Noroeste podia ganhar, mas que Toninho iria causar problemas iria, e como iria!

Toninho fazia gols de todo jeito, o menino cabeceava, batia bem com qualquer dos pés, driblava, era um leão feroz na área.

Quando aparecia um esboço de craque, os grandes se mexiam. Todo mundo queria o jogador. Toninho passou a ser o objeto do desejo dos grandes clubes de São Paulo no início dos anos 60.

Corinthians, Palmeiras, Portuguesa, Santos e até o avarento São Paulo, que só abria a carteira para comprar cimento, disputavam a pérola.

Resolvendo a árdua e longa disputa, o menino optou, claro, pelo Santos de Pelé, ele estava certo, quem não desejaria atuar ao lado do rei?

Toninho aportou na Vila, mas na Vila o centroavante era Coutinho, o lendário parceiro de Pelé, onde jogaria o menino prodígio de Bauru?

Logo se soube. Toninho foi para a ponta-direita, naquele tempo havia pontas-direitas, Garrincha era o modelo de todos eles.

Mas Toninho foi ser um ponta-direita diferente. Ele não era um driblador para entortar laterais, ele era, isto sim, um goleador implacável.

Toninho então passou a ser uma alternativa diferente para o mundo da bola, como é que um ponta, ao invés de ir à linha de fundo, fechava em diagonal para a área e tabelava com os atacantes ou fazia ele mesmo os gols?

Usando Toninho na ponta, Lula, o técnico santista, reinventava o ortodoxo futebol. Antonio Ferreira, o menino de Bauru, era o personagem da reinvenção.

Coutinho, o gênio da área, o homem que tinha pena da bola, pois a chutava com tanto carinho que na maioria das vezes ela ia para dentro do gol sem balançar a rede, passou a engordar, perdeu a forma. Coutinho não precisava correr, então não corria. Coutinho tinha um pacto com a bola. Ele apenas a impulsionava, ele a fazia transitar livre e solta e ela, a deusa bola, não o fazia se esforçar para tê-la, vinha a ele, como que por encanto.

Então, sedentário na área, Coutinho engordou. Pior, gordo, teve problemas no joelho.

Então, Antonio Ferreira, o menino de Bauru, que jogava com a 7, assumiu a camisa 9 do Santos. E foi uma verdadeira chuva de gols.

Não havia mais as tabelinhas Pelé/Coutinho, mas ver Toninho esquadrinhando a bola incansavelmente, por todos os cantos da área, era uma novidade especialíssima!

Toninho era tão bom, mas tão bom, que houve passagens em que a torcida perguntava: quem vai fazer mais gols nesse ano? Pelé ou Toninho?

Quando em 1969, ao fim de outro campeonato paulista ganho pelo Santos, eu ouvi uma entrevista de Toninho, o guerreiro, para a Rádio Bandeirantes, onde ele dizia que iria para o São Paulo, vibrei como se estivesse vendo chegar Leônidas! Contratar Toninho era, para o São Paulo, um gol de bicicleta!

Ele viria se juntar a Gérson, a Forlan, a Pedro Rocha, enfim o São Paulo voltaria a brilhar depois da longa, penosa e redentora construção do seu templo monumental!

Eu não dormi naquela noite. Toninho no Morumbi era demais!

Fui à estréia dele. Dele e de Gérson. Uma tragédia. O desentrosado São Paulo do “canhotinha de ouro”, de Dias e dele, Toninho, perdeu por 5 x 2 do Atlético Mineiro no Morumbi.

E não durou muito o sonho que a torcida tricolor mal acabava de sonhar. Todos os astros do futebol brasileiro foram convocados para a seleção que iria encantar o mundo em 1970. Toninho e Gérson, os novos heróis tricolores, estavam entre os convocados, claro.

Toninho, já como jogador do São Paulo, embora sem ter feito um golzinho sequer pelo Bem Amado, era uma aposta de toda a torcida brasileira. Toninho, já chamado “guerreiro”, era certeza de gols.
João Saldanha, o saudoso e inesquecível “João sem Medo” jornalista que o Brasil guindou inéditamente à condição de técnico da seleção brasileira naquela época, conta em um polêmico livro e em entrevista à revista Placar como foi o corte de Toninho Guerreiro da seleção.

Para Saldanha, Toninho era o melhor companheiro de Pelé, Toninho era insubstituível!

O general que naqueles tempos comandava a pátria com mãos de ferro, entretanto tinha outras idéias.

Segundo relato de Saldanha à referida revista Placar, inventaram uma sinusite para Toninho, sinusite que lhe impediria de jogar e então o guerreiro foi cortado. Em seu lugar, para rivalizar com a fama de Tostão, então jogador do Cruzeiro, foi convocado Dario, o centroavante do Atlético das Minas Gerais.

Toninho cortado da seleção voltou para o são Paulo. Voltou acabrunhado, triste, decepcionado. O São Paulo passava por um momento de transição.

Talvez passasse por um de seus maiores momentos de transição. Transição das transições. Depois da construção do Morumbi, era o momento de se tornar dentre os grandes o primeiro, tal qual profetizara, décadas antes, Porfírio da Paz.

Meses se passaram até o guerreiro se adaptar. Eu ia aos jogos e me perguntava: por que Toninho não marca?

Foi contra o Vasco, no Morumbi, em uma fria quarta-feira à noite, pela Taça de Prata, ancestral do Campeonato Brasileiro, que Toninho desencantou, bem ao seu estilo. O goleiro ousou largar uma bola depois de uma cobrança de falta, Toninho estava longe do goleiro mas deu um carrinho longo e desviou a bola para o fundo do gol. Estava selada a sina dos adversários do São Paulo.

Toninho desandou a fazer gols. Fazia gols de todos os jeitos. De cabeça, com o pé direito, com o pé esquerdo, de bicicleta, era uma tempestade de gols.

Toninho jogava sozinho à frente no time de Zezé Moreira, time que voltaria a ser campeão paulista em 1970, depois de longos treze anos de jejum.

Digamos que Toninho tinha o então meia Terto ao seu lado naquele ano de 1970.Verdade. Bem, mas Terto não era Pelé. E mais: Terto caía pelo lado direito, como se fosse um ponta, porque Paulo Nani, o nosso 7, era um meio-campista.

Então a jogada era a seguinte: bola com Gérson. Gérson, o virtuoso “canhotinha de ouro”, fazia um lançamento de 40 metros para Terto em um contra-ataque qualquer; Terto ia à frente, pela direita, e cruzava para a área. Lá estava Toninho, nosso personagem. Toninho e uma multidão de marcadores. Mas o intrépido guerreiro ia em busca da bola e no meio da refrega se encontrava com ela e era gol.

Toninho era um nobre na área.

Nunca se viu Toninho jogar sujo com um zagueiro. Toninho disputava a bola com os adversários como quem os convidasse educadamente para uma festa. Ele disputava a bola lealmente, e sempre levava vantagem.

Toninho tinha habilidade, sabia esconder seu esférico instrumento de trabalho e não tinha medo de cara feia. Toninho se colocava na área como um tigre, do lado esquerdo ou do lado direito, naquele território seu bote era fatal, de cabeça ou com os pés.
Até hoje me recordo de três dos maiores gols que, dentre muitos vi em minha vida.

Curiosamente são três gols de Toninho, o nobre guerreiro.

O Santos dava um baile em sua vítima interiorana preferida, o Botafogo de Ribeirão Preto. Sei lá quanto o placar ostentava. Então,Kaneco, um ponta hábil fez a maior jogada de sua vida: deu uma carretilha no lateral-esquerdo Carlucci do Botafogo e a bola caiu-lhe aos pé na lateral da pequena área.Kaneco vislumbrou o “guerreiro” Toninho entrando sedento e, sem que a bola tocasse ao chão, deu-lhe o passe.

Toninho, o nobre guerreiro, podia ter dado um bico para fazer o gol, era o que se esperava de qualquer outro artilheiro. Mas, Toninho, encantado com aquela jogada do companheiro e sem querer tornar banal o lance, simplesmente virou-se de costas para a bola e surpreendentemente, de calcanhar, com indiferença jamais vista, a enviou para a rede, doce e suavemente.

Até hoje não se sabe se, naquele primor de lance, foi mais bonita a jogada do Kaneco ou a conclusão do guerreiro…

Outro gol do meu coração foi marcado por Toninho na decisão do Campeonato Paulista de 1971, quando o campeonato regional era uma “avis rara”.

São Paulo e Palmeiras decidiriam o título. O São Paulo de Gérson contra o Palmeiras de Ademir da Guia.

Logo aos 5 minutos do 1º tempo uma bola viajou pelo alto na área palmeirense, Minuca, o zagueiro verde, tocou nela quase com a nuca e a pelota veio caindo, dentro da área, lado esquerdo do ataque tricolor.

Lá estava o santo guerreiro e ele, sem pestanejar, amorteceu a bola no peito e acertou um sem-pulo antológico que estufou as malhas de Leão.

Um gol inesquecível, um gol místico, um gol para os nossos tataranetos e para os netos dos nossos tataranetos, um gol para a eternidade! Esse jogo durou três eternidades, foi esse gol que nos deu o título de 1971.

Toninho, o “guerreiro”, era insaciável, como era bom vê-lo jogar, que raça, que vontade, que dedicação e que grande nobreza em busca do gol!

Antes, no ano anterior, angustioso ano de 1970, quando o São Paulo quebraria o jejum para ganhar um título depois de 13 anos, foi de Toninho, no Brinco de Ouro da Princesa, o primeiro gol do São Paulo contra o Guarani, o gol que anunciava o sonhado título.

E como se todas essas memórias não bastassem, recordo-me que Toninho fez um gol que é para mim o gol dos gols, o “gol golzarum”.

Numa tarde chuvosa no Morumbi o São Paulo enfrentava o Santos pelo campeonato paulista, nesse mesmo ano de 1970, ano da ressurreição do Bem Amado. Foi um clássico eletrizante. O São Paulo venceu o time de Pelé por 3 x 2, e desse jogo em diante a torcida do Mais Querido passou a acreditar que o título viria. O gol que fez o tricolor vencer foi de Toninho. Um gol de ouro, um gol inesquecível, que assisti ao lado de meu pai.

Num cruzamento aéreo para a área Pelé escoltava Toninho. E foi à frente de Pelé que o guerreiro aplicou uma bicicleta de antologia poética, foi talvez para homenagear o rei que ele colheu aquela bola alta e a colocou com estilo e agilidade no fundo do gol. Em homenagem a Pelé, estava decretada a reaparição da sacrossanta camisa tricolor!

Toninho fora tri-campeão paulista pelo Santos de Pelé, em 1967/68/69. Veio para o São Paulo nos fins de 1969 e com a conquista do bicampeonato de 1970-71 pelo Mais Querido, tornou-se o único atleta a ser penta-campeão paulista repetidamente. Quem se atreve a superar semelhante façanha?

Toninho ousou superar Pelé na artilharia do Campeonato Paulista. Foi o artilheiro isolado em 1970 e em 1972, sempre com a camisa tricolor.

Toninho era um bravo, mas era essencialmente um nobre na área.

Um nobre guerreiro. Detesto estatísticas mas recorro às estatísticas para dizer que Toninho, o nobre guerreiro, fez meio gol por jogo em sua carreira de três anos no São Paulo. Em 1973, Toninho parou.
Toninho era clássico, discreto e batalhador. Toninho não perdia gols, fazia gols.

Numa madrugada de 1973, década maravilhosa de anos já esquecidos e agora neste texto relembrados, em certo restaurante boêmio de São Paulo, um jovem universitário de Direito foi visto com o astro Toninho, ambos envolvidos com uma dúzia de garrafas de cervejas vazias, as cervejas eram, depois do São Paulo, as paixões do jovem e do craque.

O jovem universitário e o gênio nobre da bola deixaram a noite passar às gargalhadas, ambos fizeram poesia e recordaram gols de todos os tempos, tempos que julgavam imortais.

O gênio da bola era Toninho, o artilheiro que Deus levaria precocemente para fazer peripécias no céu em 1990 e o jovem universitário era eu, que hoje derramo lágrimas ao constatar que nunca mais teremos a nos motivar o leão da área, o nobre e implacável Toninho, o Antonio Ferreira, esse maravilhoso artilheiro tricolor.

Ave, Toninho Guerreiro, nobre tricolor!

Siga o blog no twitter

Agradecimento: Blog do Marcello Lima

Antonio Carlos Sandoval Catta-Preta é advogado e são-paulino.
http://twitter.com/catta_preta